quarta-feira, 1 de maio de 2019

O CANTO NEGRO (Ana Victória Santos)

Poema criado pela aluna Ana Vitória do 2o ano matutino do Colégio Estadual ACM  de Itapicuru/BA para concorrer no projeto Tempos de Arte Literária (TAL) dos Projetos Estruturantes da Secretaria de Educação do Estado da Bahia em 2018.


POEMA: O CANTO NEGRO

Sou um canto negro presente no sangue de todos que estão aqui
Sou a voz de Mariele, Mandela, Zumbi
Sou dos filhos de Gandhi espalhados do Oiapoque ao Chuí
Ser negro é minha essência
Não minha sentença
Debaixo da pele o sangue que corre é igual
Vermelho, vivaz
Parece irreal
Que esse canto voraz
Ainda peça um pouco de paz

Pra me verem como um cidadão
primeiro tive que ser escravo
Na vida já levei muito não
e escutei que preto não pode ser advogado
Eu mundo de desigualdade
Onde o preconceito é gritante
Branco com drogas é jovem
E preto é traficante
Somos filhos de uma mãe desigual
Salve pátria, mãe querida, todo mundo é igual

Do navio negreiro para a viatura
Vivemos em uma ditadura
Onde somos julgados por ter pele escura
Lei Áurea mentiu ainda existe escravatura
"Eu não escravizei ninguém"
Disse o branco de olho azul
"Meu filho não namora com preto algum
Mas não sou racista, de jeito nenhum"
Um tapa minucioso
Sofrimento, silencioso

Eu não quero sobreviver
Eu quero viver
Sobreviver não é como morrer,
é sobre a cabeça baixa manter
Copacabana é casa grande
Rocinha é senzala
A cabeça de Gandhi exposta em um estande
As lágrimas de um povo que não se cala

O sonho de Martin Luther King ainda não se realizou
Ainda somos julgados pela cor
E por pessoas que nem sabem o tamanho da nossa dor
Mais frequente que percebemos
Fingimos não ver
E se quem cala consente
O Morto calado pode ser você

O que falta é respeito
E que cada afrodescendente tem orgulho de ser preto
Tenha orgulho da liberdade que foi conquistada
Que sete arrobas não seja a cabeça mais pesada
E que além da cultura esteja sua gente aclamada

O racismo não vai terminar de me matar
Meu sonho é grande por ele vou lutar
Vou lutar com a força de milhões
Embalado pelo som dos atabaques em seus corações
O filho do senhor de engenho que nem podia
O chamar de família
Hoje cresceu e guerreia contra o preconceito vindo de Brasília
Vão tentar me destruir
Mas vou me reconstruir
Vou lutar pelo canto negro que ainda emana aqui!



Autora: Ana Victória Santos
Professor-orientador: Evaí Oliveira

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