segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

As Cartas de Natal (parte 1)


AS CARTAS DE NATAL
Por Evaí Oliveira

PARTE 1
 
Todos os anos, crianças do mundo inteiro mandam cartas ao Papai Noel pedindo presentes de todos os tipos. Lá estava o Papai Noel sentado na escrivaninha da sua fábrica de brinquedos, na Lapônia, lendo cartas e mais cartas com seus duendes ajudantes.
Mas neste Natal, o bom velhinho recebeu cartas de crianças brasileiras e ficou bastante emocionado com o que leu: umas pediram cobertores e demais agasalhos e outras pediram um lar para morar, uma família, nada de brinquedos. É claro que as crianças que moram nas ruas desconhecem o prazer de ter um brinquedo nas mãos. Em vez de se divertirem, essas crianças são expostas aos perigos das ruas, tendo que se virarem para conseguir sobreviver.
Emocionado e lamentando tal situação, o bom velhinho reuniu os duendes para solicitar ajuda para tentar resolver aquele problema.
Meus amigos, esse ano, vamos visitar o Brasil e levar um pouco de alegria para as crianças abandonadas. Mas para isso, precisaremos de ajudantes de lá.
Isso mesmo, Noel, eu e outros duendes podemos pesquisar projetos natalinos e entrarmos como voluntários. Daí, levamos os brinquedos e os projetos ficam com a parte da alimentação e agasalhos, pois a nossa fábrica só produz brinquedos.
Ótima ideia! Ainda faltam quinze dias para a comemoração, o que acham de selecionarmos as crianças mais comportadas de cada estado para nos ajudar nessa tarefa?
Toda ajuda é bem-vinda. Vamos ver a lista de cada estado do Brasil!
Noel seguiu para o supercomputador do seu escritório e acessou a página de estatísticas de comportamento das crianças do mundo inteiro, pesquisou o Brasil e selecionou as capitais do país. Após encontrar as vinte e sete crianças brasileiras mais comportadas, encarregou um duende de imprimir uma carta e enviar para cada uma das crianças. O duende digitou um texto relatando a ideia e solicitando a ajuda delas, colocou em envelopes e pediu a Noel o trenó emprestado para ir entregar as cartas aos seus destinatários.
Claro que pode usar o meu trenó! Só tenha cuidado para não ser visto, pois ainda faltam quinze dias para o Natal.
Não se preocupe com isso! Eu deixarei o trenó em um local afastado, fico invisível e dou um jeito das crianças receberem as cartas. Vou preparar as renas, pois já é noite no Brasil.
O duende saiu, preparou as renas para puxarem o trenó e deixou o Círculo Polar Ártico em direção à América do Sul. Passou pelas casas e apartamentos das crianças mais comportadas de cada estado e realizou a entrega das cartas. Estacionando o trenó em locais escondidos dos olhos humanos, ficou invisível e entrou em cada quarto para deixar o envelope em um local que pudesse ser visto pelas crianças.
Em uma das casas, a criança despertou no meio da noite, quando o duende se encontrava no quarto na forma visível. Rapidamente, o ajudante do Papai Noel se transformou em um anão de jardim de enfeite no canto do quarto. A criança achou estranho o anão ali no quarto e voltou a dormir. O duende voltou à sua forma normal, deixou o envelope ao lado da cama e saiu pela janela.
Nas outras residências, a criaturinha já entrou invisível a fim de não ser surpreendido novamente.
Depois de concluído o serviço, o duende retornou à fábrica de brinquedos, na Lapônia, soltou as renas, guardou o trenó e foi falar com o chefe.
Noel, todas cartas foram entregues. Agora vamos aguardar o resultado.
Enquanto isso, no Brasil, as crianças que leram as cartas foram tomadas pela euforia de serem ajudantes do Papai Noel e tentar proporcionar um Natal mais digno às crianças abandonadas e moradoras das ruas do país. Elas induziram seus pais a participarem dos projetos solidários das suas cidades e seus pais aceitaram pela causa de ajudar as pessoas, mas não acreditaram na história da carta ter sido enviada pelo Papai Noel, o que eles pensam se tratar apenas de uma personagem popular.
Lá no Círculo Polar, o bom velhinho e seus ajudantes continuavam a ler as cartas e providenciar os brinquedos. Em um lado da sala, havia um computador maior que o comum em que os modelos dos brinquedos eram selecionados e uma máquina gigante providenciava os brinquedos e os duendes aguardavam sair pela esteira rolante para embalá-los, colocar o nome e endereço do destinatário e colocá-los em sacos para depois levá-los ao famoso trenó.
Enquanto isso, outros duendes colocavam em prática outra parte dos seus planos: vinte e sete deles seguiram para o Brasil, misturaram-se aos humanos idealizadores dos projetos sociais para induzi-los a arrecadar apenas alimentos e agasalhos, pois ganhariam os brinquedos seriam dados pelo Papai Noel. Se contassem a história real, os humanos não acreditaram, então os duendes se identificaram como pessoas normais fantasiadas, até inventaram nomes e assumiram um tamanho maior, pois seu tamanho normal é menor que um ser humano.


(Continua...)

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