terça-feira, 25 de dezembro de 2018

As Cartas de Natal (parte final)


AS CARTAS DE NATAL
Por Evaí Oliveira

PARTE FINAL

Para justificar, a doação dos presentes, eles disseram ser representantes de grandes empresários do país que não queriam ser identificados. Trabalham bastante fazendo campanhas de arrecadação, enquanto os seus companheiros trabalhavam igualmente na produção e embalagem dos brinquedos, na fábrica. Como os alvos principais eram as crianças moradores de rua, os duendes que estavam no Brasil voltaram à Lapônia e se reuniram com o Papai Noel para discutir mais uma ideia.
Noel, lá no Brasil, nós percebemos a boa vontade dos voluntários, mas pouca manifestação do poder público. Eles criaram órgãos que em várias situações são negligentes, ou melhor dizendo, desinteressados e preguiçosos. Por outro lado, eu absurdo o fato de um bebê ser gerado e abandonado pelos pais, afinal as crianças não têm culpa da irresponsabilidade dos pais.
Isso mesmo. Em algumas cidades, pudemos perceber que existem abrigos e fundações de acolhimento a essas crianças, mas os recursos são insuficientes, mas o pessoal faz o que pode pelas crianças. Até bebês recém-nascidos são encontrados em latas de lixo lá. É absurdo e lamentável!
Entendo. Não sabia que o país tratava tão mal suas crianças, que são o futuro da nação. O fato de haver pessoas de coração bom se solidarizando com as mazelas da sociedade brasileira já me deixa com esperanças de que futuramente o abandono infantil será extinto... Mas em que ponto vocês querem chegar?
Nós podemos doar recursos para a estruturação e criação de abrigos para essas crianças.
Vocês estão dizendo que pretendem...
Ir ao final do arco-íris e trazer um pouco de ouro. Lá, eles vendem e usam o dinheiro em prol dos espaços para abrigar as crianças.
Ótima ideia! Amanhã vocês voltam ao Brasil e agilização a questão dos abrigos e depois que estiver tudo certo, vocês vão final do arco-íris buscar o ouro.
No dia seguinte, os duendes foram para o Brasil e se reuniram com os dirigentes dos projetos para adquirir casas para serem os abrigos e revitalizar os abrigos já existentes a fim de receberem mais crianças. Eles disseram que o dinheiro seria doado pelos mesmos empresários que eles representavam.
No decorrer da última semana antes do Natal, depois das campanhas, foram arrecadados muitos alimentos e agasalhos e os representantes dos projetos conseguiram casas para abrigar as crianças e empresas para reformar e ampliar os lares já existentes, só faltavam os recursos financeiros.
Os vinte e sete duendes se apresentaram para as vinte e sete crianças selecionadas pelo Papai Noel, que tiveram praticamente a mesma reação de estranheza ao ver aquela criatura de menos de um metro de altura à sua frente. O duende fez um gesto com a mão e de repente um belíssimo arco-íris se formou a partir do final do horizonte e terminou bem aos pés da criaturinha e da criança.
O duende pediu para a criança o acompanhar, aproximou-se do arco-íris e desapareceu. A criança tocou no feixe de luz do fenômeno e foi levada até o seu final em um vale entre duas montanhas. Lá, havia um pote de barro cheio de moedas de ouro, que foi colocado em saquinhos de pano e levados de volta com os dois.
O mesmo aconteceu com todas as outras crianças. Após o retorno, os duendes pediram para as crianças guardarem os saquinhos de ouro para serem usados na hora certa e desapareceram.
Os voluntários dos projetos organizaram uma festa de Natal para receber entregar as cestas, as roupas. Só faltavam os brinquedos, que os ajudantes disseram que estavam chegando com o Papai Noel.
Na noite da véspera de Natal, aconteceram as festividades com o acolhimento de todas as crianças moradoras de rua das cidades. Estavam todos ansiosos porque o bom velhinho ainda não havia chegado.
Na fábrica de brinquedos, as renas já estavam prontas para puxar o trenó carregado de presentes para o Brasil. Enquanto os duendes da fábrica continuavam a produção de brinquedos para as crianças dos outros países, Noel seguiu pelo céu em direção ao Brasil.
As crianças estavam dispersas pelos ambientes da primeira casa visitada pelo Papai Noel, quando foram chamadas pelo duende. Antes disso, ouviram o barulho de sinos e correram para a frente da casa. Lá vinha o trenó mágico puxado pelas renas voadoras guiadas pelo Papai Noel com um saco enorme na parte de trás.
As crianças ficaram admiradas e os adultos pensavam se aquilo era real ou delírio coletivo e ficaram ainda mais confusos quando o duende assumiu sua forma normal de menos de um metro de altura.
Noel cumprimentou as crianças, deu-lhes brinquedos e falou que a partir daquele dia elas teriam um lar para morar e com a ajuda do duende a criança escolhida, que viajou até o final do arco-íris, entregou aos representantes do projeto um saquinho cheio de moedas de ouro, para custear o projeto, o que os deixou ainda mais confusos, pois aquela história de Papai Noel, duendes e pote de ouro era de mais para a mente dos adultos acreditar. Já as crianças se enchiam de alegria em ver aqueles seres e esperança de um futuro melhor para elas.
Antes de ir embora para o próximo lar, Noel agradeceu aos voluntários por olharem para as crianças abandonadas e disse para usarem as moedas de ouro da melhor forma possível em benefício deles. Despediu-se de todos, subiu no trenó em companhia do duende e deu o comando para as renas, que saíram puxando o veículo para a próxima parada.
No céu, passaram pela frente da lua, tornando visível a sombra do trenó e das renas, seguidos do eco da voz do bom velhinho: Ho Ho Ho Feliz Natal!

(FIM)

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