domingo, 11 de fevereiro de 2018

Caso 01: Morta pela Boca (Parte 1)

Caso 01: Morta pela Boca
Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com


PARTE 1


Departamento de Resolução de Crimes – 8h45min

Tomas Carvalho, supervisor do Departamento de Resolução de Crimes da Polícia de Novo Horizonte – DRC, estava saindo do escritório quando o computador disparou um alarme avisando do recebimento de uma mensagem.
Tomas trabalha para o DRC há mais de dez anos. Aparenta ter mais de quarenta anos, com seus cabelos grisalhos e pele morena.
Ao abri-la, contatou imediatamente o detetive Élter Oliveira.
– Élter, acabamos de receber um código 121, homicídio no estacionamento do Condomínio Aquarius. Vá até lá e investigue a cena do crime.
De acordo com o artigo 121 do Código Penal, a pena para homicídio é de seis a vinte anos de reclusão. Nesse caso, a pena deve sem cumprida em regime fechado, em prisão de segurança máxima.
– Tomas, por coincidência, estou passando pela avenida do Aquarius. Dentro de cinco minutos, estarei lá.
Élter é o detetive mais jovem que o DRC já contratou. Tem vinte e dois anos, é moreno claro, mede 1,75 m e tem o corpo semiatlético, pelo fato de praticar algumas atividades físicas. Durante o horário de trabalho, usa óculos de descanso e fone do ouvido conectado, sem fio, ao celular. Por sorte, levava a maleta de investigação reserva no banco de trás do seu Cross Fox. Nessa maleta, estão disponíveis os principais apetrechos de investigação criminal, tais como luvas de borracha, pó e pincel para levantamento de impressões digitais, lanterna, lâminas de vidro e esparadrapo.

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Condomínio Aquarius – 8h52min

Quando chegou à entrada do Condomínio Aquarius, encontrou três policiais na frente do portão de acesso ao estacionamento.
– Recebemos ordens para não deixar ninguém entrar no Aquarius. Por favor, volte. – Falou um dos policiais.
– Sou o detetive Élter Oliveira, do Departamento de Resolução de Crimes. Meu chefe, Tomas Carvalho, mandou eu vir para cá. – Enquanto se identificava, mostrou o distintivo do DRC.
– Tudo bem. Pode passar.
A área estava demarcada com uma fita amarela com listras pretas. Ao lado de um carro, havia uma mulher loira vestida em uma camisola verde. Estava morta.
Élter pegou o celular, digitou o número de Tomas, apertou o botão de chamar e o colocou no bolso. O telefone estava conectado, sem fio, ao fone de ouvido comunicador. Abriu a maleta de investigação que carregava e pegou uma câmera digital para registrar os detalhes da cena do crime, com do celular quebrado ao lado do corpo.
– Tomas, encontrei o corpo da vítima. Está vestida com roupa de dormir. A princípio, não há sinais de luta, apenas algumas manchas roxas no pescoço.
– Ótimo, Élter, mandarei seu assistente com a equipe para trazer o corpo para realizar a necrópsia. Outra coisa: já comuniquei ao sargento que esse caso está em nossas mãos. Os policiais só ficarão no local até o final do dia.

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Depois de vinte minutos, Marco Esteves, o assistente, chegou ao Condomínio com dois paramédicos, que retiraram uma maca da ambulância, dirigiram-se até o corpo da vítima, recolheram-no e levaram para o DRC. Ele tem vinte e três anos de idade, é loiro de olhos azuis e está esperando ser promovido a investigador.
Enquanto Élter tirava mais algumas fotos, Marco colocou as luvas de látex e colocou o celular dentro de um saco de evidência de retirou de sua maleta.
– Carvalho mandou você voltar para o escritório. Os policiais cuidaram para que ninguém se aproxime da nossa cena do crime. – Passou o recado, Marco Esteves.

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Departamento de Resolução de Crimes – 9h40min

Marco sentou-se à sua mesa e retirou o celular do saco, abriu o pote do pó de impressões e pincelou o pó por todo o aparelho, no intuito de encontrar as digitais do assassino. Em seguida, pegou o esparadrapo, que é uma espécie de ficha com uma página adesiva, puxou a parte adesiva, colocou na tela do aparelho e fez o mesmo com a parte de trás o telefone.
Depois, fechou a página adesiva e preencheu o verso e colocou ficha no escâner de digitais. Quando a impressão apareceu na tela, Marco acessou o Sistema de Identificação de Impressões Digitais, pesquisou o nome da vítima nos registros da Secretaria de Segurança Pública e comparou as digitais. Nessa base de dados, é possível acessar os registros do órgão que emitiu o documento de identidade, no caso da vítima, a SSP de Novo Horizonte.
– Vejam isso! As impressões digitais encontradas no celular são de Patrícia Dornelles. Mas só tem as dela. O aparelho não funciona. Deve ter sido danificado quando caiu.
O médico legista, Dêivide Fournier, entrou no escritório. De família francesa, ele tem sessenta e oito anos, estatura média, moreno claro.
– Olá! O corpo da vítima já está no laboratório. Quando a necrópsia for concluída, trarei informações imediatamente.
Tomas, Élter e Marco estavam no escritório aguardando o resultado da autópsia e pensando no possível motivo do assassinato. Pelas marcas no pescoço, já era possível afirmar que se tratava de um homicídio doloso, quando há a intenção de matar.
Dêivide voltou à sala, após trinta minutos.
– Pessoal, a necrópsia foi concluída. A jovem morreu asfixiada. Tinha escoriações no pescoço, provocadas por algum tipo de corda, que deixaram hematomas, as marcas roxas que Élter descreveu para Tomas, por telefone.
O Código Penal classifica como homicídio qualificado, resultado de tortura ou outro meio cruel, como é o caso da asfixia. Para esse caso, a pena é de doze a trinta anos, também, de reclusão.
– Alguém a atraiu ao estacionamento. Se o celular funcionasse, poderíamos ver se ela tinha recebido ligações. – Falou, Élter.
– A vítima lutou contra o assassino. Tinha ferimentos nas mãos e encontrei pele embaixo das unhas. O DNA não está no Sistema de Índices de DNA, mas é masculino. Ainda há outra coisa interessante: Encontrei partículas de tinta prata embaixo das unhas dela.
         O Sistema de Índices de DNA é a base de dados em que estão registrados os criminosos, suspeitos e demais pessoas que já tiveram passagem pela polícia.
Marcelo Henriques, técnico de laboratório e analista de DNA e substâncias, chegou à sala. Ele é alto, magro, tem pele clara e cabelos lisos. Está na faixa dos trinta anos de idade.
– Olá! O que conseguiram descobrir com relação ao crime? – Perguntou Marcelo.
– Até agora, sabemos que um homem é o assassino. – Disse Marco.
– E tem o rosto arranhado. – Completou Élter.
– Ela foi morta por asfixia. – Falou Dêivide.
– Marcelo, faça a análise dos vestígios da tinta prata que Dêivide encontrou embaixo das unhas de Patrícia. – Solicitou Tomas.
– Levarei esse material para o laboratório agora mesmo. Voltarei assim que obtiver o resultado. – Marcelo pegou a lâmina com resíduos da tinta e seguiu para o laboratório.

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(Continua...)

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