domingo, 8 de abril de 2018

Mistério da Meia-Noite (Parte 6)

MISTÉRIO DA MEIA-NOITE

Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com

PARTE 6


Faltavam poucos muitos para a meia-noite. De repente, um uivo ecoou na direção do riacho. Érique e Carla trocaram olhares de atenção e cada um se aproximou de uma janela, com vista para os fundos da casa.
No quarto ao lado, Alana estava apoiada no batente da janela, com vista para a lateral da casa, com uma mão vazio e a lanterna na outra. Ao ouvir o uivo, assustou-se e deixou a lanterna escapar das mãos. Por ser muito leve, a lanterna não fez barulho ao cair em cima da grama. Com as cabeças do lado de fora da janela, para ver onde a lanterna tinha caído, começam a sussurrar e terminaram a conversa com os corpos completamente dentro do quarto.
– Muito bem, Maria Assustada!
– Acho que vamos ter que esperar sem lanterna...
– Acha nada. Você derrubou e você vai buscar.
– Sozinha? Com seja lá o que for aí fora? Nem se eu estivesse louca!
– Tudo bem! Eu vou com você. Vamos descer sem que Carla e Érique nos vejam.
Abriram a porta com todo o cuidado possível e desceram as escadas nas pontas dos pés, literalmente. Considerando que a outra dupla estava monitorando a parte de trás da casa, as duas saíram pela porta da frente e seguiram pela lateral até o ponto em que a lanterna caiu.
Ao chegarem perto da lanterna, Alana se abaixou para pegá-la e Natália, que estava logo atrás, disse que tinha ouvido alguma coisa. Aquele lado da casa estava escuro porque a lua se posicionava do outro lado da casa, de modo que só iluminava uma parte dos fundos e a outra lateral da casa. Alana, com a lanterna na mão, só ouviu os galhos das árvores batendo na parede. Voltaram pelo mesmo lugar, seguindo a parede, com a lanterna desligada. A parte da frente da casa também estava escura, pois a lua não estava muito alta e as árvores impediam a passagem da luz.
Como passava da meia-noite, já era madrugada de domingo.
Quando se dirigiam à porta da frente, Natália notou apenas dois olhos brilhantes, aparentemente, em cima dos galhos baixos da goiabeira. Percebendo que a amiga não viu, parou para atrair a sua atenção falando em baixo tom.
– Ei, Alana! Veja aqueles olhos ali!
– Onde? Sim! Deve ser um gato procurando alguma coisa para comer.
– Sei que os olhos dos gatos brilham... Mas não temos gatos.
Alana ligou a lanterna e apontou para a goiabeira. As duas ficaram sem voz por alguns segundos, enquanto a lanterna iluminava não um gato, mas sim o vulto de um ser grande e peludo, o mesmo que viram na noite anterior e que estava a poucos metros delas.
Logo após um uivo, com gritos de medo, as duas correram para os fundos da casa.
– Cooorre!
– Espere por mim! Ahhh!
Segundo depois, chegaram à porta dos fundos, da cozinha, tentaram abri-la, mas estava trancada. Então, correram para o galinheiro e se esconderam na parte de trás. O monstro também seguiu pela lateral da casa, a fim de alcançá-las.
No quarto, Érique e Carla ouviram o uivo seguido dos gritos. E, em seguida, a correria das meninas pela lateral da casa indo em direção ao galinheiro.
– O que está acontecendo? O que elas estão fazendo lá fora?
– E não estão sozinhas. Veja! O lobisomem está atrás delas.
– Vamos descer lá! Pegue a corda!
Desceram a escada nas pontas dos dedos e seguiram para a cozinha, Érique na frente com a lanterna ligada, para não acender as luzes e Carla, que estava seguindo a luz da lanterna, pegou a vassoura que estava pendurada na parede atrás da porta, para garantir. Saíram cuidadosamente com a lanterna apagada.

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O suposto lobisomem viu as meninas correndo para detrás do galinheiro e estava indo atrás delas. Naquele momento, o fundo da casa estava iluminado, pois a lua ainda estava no céu, presenciando a cena. Érique e Carla o alcançaram na frente do galinheiro e a última chamou a sua atenção.
– Ei, bicho feio! Por que não se mete com alguém do seu tamanho?
Ele se voltou e foi em direção aos dois e, quando chegou perto, Carla deu uma vassourada em sua cabeça. Em seguida, ele levantou o braço, bruscamente, e a vassoura caiu longe. Com o impulso, Carla deu alguns passos para trás, desequilibrou-se e caiu. Ouvindo a voz dos amigos, Natália e Alana apareceram e cada uma jogou uma manga no monstro. Ele fez um barulho, virou-se para elas e avançou.
Érique segurou uma ponta da corda e jogou a outra para Carla, que estava se levantando. Como o ser estava indo em direção às meninas, não percebeu que esses dois preparavam uma armadilha. Segurando as duas pontas da corda, os dois correram na direção do monstro, jogaram a corda por cima dele, como na brincadeira de pular corda, e antes que tocasse o chão, os dois pararam e puxaram a corda para trás. O pé se prendeu na corda e ele caiu para frente.
Antes de se levantar, Alana e Natália correram e pularam em cima de dele. Enquanto isso, Carla e Érique deram duas voltas com a corda em seus pés. As duas primeiras puxaram seus braços para trás e os dois últimos amarraram suas mãos com as pontas das cordas.
Com todo aquele barulho, Júli finalmente acordou, foi ao quarto de visitas e colocou a cabeça do lado de fora. Alana e Natália estavam sentadas nas costas do falso lobisomem, Carla estava sentada em suas pernas e Érique estava terminando de amarrar as pontas da corda, em pé ao lado.
– Mas que gritaria... O que é isso?
– Acordou, Bela Adormecida!
– Capturamos um lobisomem para você, tia Júli!

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