MISTÉRIO DA MEIA-NOITE
Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com
PARTE FINAL
Júli desceu e acendeu as luzes dos fundos.
– Meninos, vocês são terríveis! Até tu,
Natálias?...
– Saiam de cima de mim, pestes!
– Olhem só, meninas, não sabia que seres
folclóricos sabiam falar.
– Bem, assim amarrado e com as luzes acesas,
você não parece tão assustador!
– Aposto que roubou essa fantasia de algum
teatro.
Curiosos para saber que estava dentro da roupa,
as meninas se levantaram segurando-o, Érique puxou as orelhas e a cabeça da
fantasia saiu facilmente. Júli ficou pasmada quando viu o rosto da criatura.
– Você? Não tem vergonha?
– Eu já suspeitava dele, mãe. Só não tinha como
provar.
– Júli, eu e Carla vimos a porta arranhada no
depósito. E as marcas foram evidentemente feitas por um ancinho que também
estava no depósito.
– Daí, ficou claro que foram feitas por alguém
que tinha acesso à casa.
– E essa pessoa só poderia ser o empregado do
sítio.
– Ele fez tudo isso, simplesmente, para que
ninguém comprasse o sítio. Assim, a propriedade ficaria só para ele.
– Mas você, tia Júli, resolveu comprar a
propriedade. Com isso, ele continuou com os falsos ataques de lobisomem para
que vocês fossem embora.
– O ataque ao galinheiro na noite passada foi
proposital, assim como os relatos de aparecimentos de lobisomem. Ele nos disse
que também tinha visto, pensando que nós a convenceríamos a se mudar daqui, para
ele ficar com tudo.
– Depois que ele me viu com a corda e Carla
com a lanterna, pensou que nós sairíamos para procurar o falso monstro no mato.
Daí, ficou observando a casa para nos ver saindo e ir logo atrás.
– Mas Alana deixou a lanterna cair pela janela
e nós duas tivemos que descer sem avisar. Ele nos viu saindo pela frente e
ficou nos esperando voltar.
– Exatamente, Natália. Ele não queria nos
atacar. Só queria que nós corrêssemos para dentro de casa. Mas Érique e Carla
apareceram e ele ficou sem saber o que fazer.
– A propósito, e aquela vassoura com o cabo
quebrado? E essa corda?
– Júli, eu quebrei o cabo da vassoura na cabeça
dele. Será que ficou a marca?
– E eu peguei a corda no depósito.
– Mãe, eu e Alana contribuímos com duas mangas.
Acho que ele está com uma leve dor de cabeça.
– Podem desamarrá-lo, meninos. Amanhã, ou
melhor, quando amanhecer, precisamos ter uma conversa séria, caríssimo
funcionário!
********************
Depois de desmascararem o empregado do sítio, a
turma aproveitou as últimas horas da madrugada para dormir um pouco. No começo
da tarde, voltaram para Nova Corinto satisfeitos por terem desvendado aquele
mistério.
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