A
CAIXA DE PANDORA
Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com
PARTE FINAL
Caminharam por algum tempo e
ao olhar para uma um monte, perceberam um homem acorrentado e um pássaro
pousado em seu corpo, como se estivesse comendo algo.
Os meninos se entreolharam e
ficou tudo claro: eles e lembraram do mito de Prometeu e deduziram que era a
mulher que ganhou o jarro de Hera.
– Aquele lá em cima, só pode
ser o titã Prometeu. Zeus mandou Hefesto acorrentá-lo como castigo por ter
roubado o fogo da deusa Héstia. E para aumentar o sofrimento, um corvo devora o
seu fígado, que se regenera para ser devorado novamente, isso todos os dias.
– Então, aquela mulher era
Pandora, moldada por Hefesto a partir do barro, e o jarro contém todos os males
da humanidade. Temos que voltar até ela!
Os meninos retornaram ao local
onde encontraram Pandora e a deusa Hera. Durante o tempo em que passaram de ida
e volta, o titã Epimeteu esteve com sua esposa Pandora, e ordenou que o jarro
não fosse aberto, mas depois de muita insistência por parte de Pandora, o titã
tomou-lhe o jarro e o guardou. Depois que Epimeteu foi dormir, a mulher pegou o
jarro e, tomava pela curiosidade de saber o que havia dentro daquele objeto,
resolveu abrir o presente.
Nesse momento, os meninos já a
avistaram e gritaram para que ela não tirasse a tampa do jarro, mas já era
tarde. Pandora não resistiu e sua curiosidade fez com que todas as coisas
terríveis saíssem do artefato, entre elas, mentira, inveja, ganância, ira, preguiça,
dor, fome, doença, pobreza, guerra, morte. Nesse momento, Ézio e Estéfano
correram para perto do jarro ajudaram Pandora a colocar a tampa no jarro,
deixando apenas uma coisa dentro do jarro.
Após a abertura do vaso, Ézio
sentiu uma fome fora do comum, como se não houvesse comido há uma semana e
Estéfano foi tomado por uma febre de mais de quarenta graus, problemas já
causados pelos males do interior do jarro.
No fervor do acontecimento,
Epimeteu acordou e percebeu o que sua esposa tinha feito, e antes de falar
qualquer coisa, todos ouviram uma voz saindo de dentro jarro pedindo para ser
libertada. O titã percebeu a presença dos meninos e os estranhou,
questionando-os sobre quem era e sua origem. As respostas deixaram o titã
desconfiado e pensativo sobre ser alguma artimanha dos deuses.
Pandora quis abrir o jarro
novamente para ver o que havia sobrado, mas Epimeteu não deixou, inicialmente,
mas depois de falar com os meninos, permitiu tal ação.
– Se foi um presente de Zeus,
como saber se o que ficou dentro não é pior do que os males que já foram
libertados?
– Depois de todos os males que
foram soltos do jarro por Pandora, o mundo não será mais o mesmo – disse Ézio
com a mão na barriga –, mas o que sobrou é um elemento de conforto para todos
os seres atormentados pelos horrores do jarro.
O titã, então, concordou que
nada que estivesse ali dentro seria pior do que as desgraçadas que saíram dele,
então o jarro foi aberto mais uma vez e dentro dele estava a esperança, que
saiu do vaso, passou por Estéfano, curando sua febre, restaurando sua saúde,
fez a fome de Ézio passar e seguiu pelo mundo tentando desfazer os problemas
causados pelos males.
Enquanto Epimeteu falava com
Pandora, os meninos ficaram meio tontos, tudo ficou escuro e ao abrirem os
olhos, estavam de volta no quarto próximo ao livro, e recobrando a consciência.
Estéfano, fechou o livro e o colocou de volta dentro da caixa, refletindo sobre
a lição aprendida sobre as consequências das ações de Pandora, vítima da
vingança de Zeus contra Prometeu, Epimeteu e toda a humanidade, com aquela
viagem à Grécia mitológica.
Os dois aprenderam que
determinados fatos só acontecem devido à curiosidade aliada à desobediência,
que resultam em novos aprendizados, pois se eles não tivessem aberto a caixa,
não teriam embarcado na aventura pelo mundo antigo e aprendido que a
curiosidade também tem seu lado bom, pois possibilita novas vivências.
Aprenderam, também, que apesar de todas as coisas ruins que existem no mundo,
como as doenças, guerras e fome poderão ter fim algum dia, afinal, a esperança
é a última que morre.
(FIM)
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