sábado, 22 de junho de 2019

A Caixa de Pandora (parte final)


A CAIXA DE PANDORA
Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com


PARTE FINAL
 

Caminharam por algum tempo e ao olhar para uma um monte, perceberam um homem acorrentado e um pássaro pousado em seu corpo, como se estivesse comendo algo.
Os meninos se entreolharam e ficou tudo claro: eles e lembraram do mito de Prometeu e deduziram que era a mulher que ganhou o jarro de Hera.
– Aquele lá em cima, só pode ser o titã Prometeu. Zeus mandou Hefesto acorrentá-lo como castigo por ter roubado o fogo da deusa Héstia. E para aumentar o sofrimento, um corvo devora o seu fígado, que se regenera para ser devorado novamente, isso todos os dias.
– Então, aquela mulher era Pandora, moldada por Hefesto a partir do barro, e o jarro contém todos os males da humanidade. Temos que voltar até ela!
Os meninos retornaram ao local onde encontraram Pandora e a deusa Hera. Durante o tempo em que passaram de ida e volta, o titã Epimeteu esteve com sua esposa Pandora, e ordenou que o jarro não fosse aberto, mas depois de muita insistência por parte de Pandora, o titã tomou-lhe o jarro e o guardou. Depois que Epimeteu foi dormir, a mulher pegou o jarro e, tomava pela curiosidade de saber o que havia dentro daquele objeto, resolveu abrir o presente.
Nesse momento, os meninos já a avistaram e gritaram para que ela não tirasse a tampa do jarro, mas já era tarde. Pandora não resistiu e sua curiosidade fez com que todas as coisas terríveis saíssem do artefato, entre elas, mentira, inveja, ganância, ira, preguiça, dor, fome, doença, pobreza, guerra, morte. Nesse momento, Ézio e Estéfano correram para perto do jarro ajudaram Pandora a colocar a tampa no jarro, deixando apenas uma coisa dentro do jarro.
Após a abertura do vaso, Ézio sentiu uma fome fora do comum, como se não houvesse comido há uma semana e Estéfano foi tomado por uma febre de mais de quarenta graus, problemas já causados pelos males do interior do jarro.
No fervor do acontecimento, Epimeteu acordou e percebeu o que sua esposa tinha feito, e antes de falar qualquer coisa, todos ouviram uma voz saindo de dentro jarro pedindo para ser libertada. O titã percebeu a presença dos meninos e os estranhou, questionando-os sobre quem era e sua origem. As respostas deixaram o titã desconfiado e pensativo sobre ser alguma artimanha dos deuses.
Pandora quis abrir o jarro novamente para ver o que havia sobrado, mas Epimeteu não deixou, inicialmente, mas depois de falar com os meninos, permitiu tal ação.
– Se foi um presente de Zeus, como saber se o que ficou dentro não é pior do que os males que já foram libertados?
– Depois de todos os males que foram soltos do jarro por Pandora, o mundo não será mais o mesmo – disse Ézio com a mão na barriga –, mas o que sobrou é um elemento de conforto para todos os seres atormentados pelos horrores do jarro.
O titã, então, concordou que nada que estivesse ali dentro seria pior do que as desgraçadas que saíram dele, então o jarro foi aberto mais uma vez e dentro dele estava a esperança, que saiu do vaso, passou por Estéfano, curando sua febre, restaurando sua saúde, fez a fome de Ézio passar e seguiu pelo mundo tentando desfazer os problemas causados pelos males.
Enquanto Epimeteu falava com Pandora, os meninos ficaram meio tontos, tudo ficou escuro e ao abrirem os olhos, estavam de volta no quarto próximo ao livro, e recobrando a consciência. Estéfano, fechou o livro e o colocou de volta dentro da caixa, refletindo sobre a lição aprendida sobre as consequências das ações de Pandora, vítima da vingança de Zeus contra Prometeu, Epimeteu e toda a humanidade, com aquela viagem à Grécia mitológica.
Os dois aprenderam que determinados fatos só acontecem devido à curiosidade aliada à desobediência, que resultam em novos aprendizados, pois se eles não tivessem aberto a caixa, não teriam embarcado na aventura pelo mundo antigo e aprendido que a curiosidade também tem seu lado bom, pois possibilita novas vivências. Aprenderam, também, que apesar de todas as coisas ruins que existem no mundo, como as doenças, guerras e fome poderão ter fim algum dia, afinal, a esperança é a última que morre.

 (FIM)

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