sábado, 21 de março de 2020

Leitura Já! Histórias do Mundo Para Crianças (Monteiro Lobato)


SEMANA 12 – Histórias do Mundo Para Crianças (Monteiro Lobato)

Acervo pessoal

Publicado em 1933, a obra é uma adaptação do livro Child’s History of the World, de Virgil M. Hillyer, publicado em 1924 nos Estados Unidos. Na história, dona Benta recebe o livro pelo correio e depois de analisá-lo, resolveu lê-lo para a turminha.
Vou adiantando que esse livro rendeu a Lobato censura e perseguição por parte da Igreja e do governo brasileiro, sob a justificativa de ser um livro perigoso para ser lido por crianças.
A história começa contando a origem do mundo de acordo com a visão da ciência, esquecendo a visão religiosa. Depois segue para os habitantes das cavernas, passando pela descoberta do fogo, que permitiu ao homem produzir várias outras coisas.
Passando pelos hieróglifos, pelas pirâmides e pelos deuses egípcios, dona Benta fala dos babilônios, dos assírios e dos hebreus, contando a história de Moisés. Sobre esse último caso, Pedrinho questiona se Moisés realmente recebeu a Tábua dos Dez Mandamentos de Deus, dona Benta responde que “se ele não afirmasse ter recebido a Lei das mãos de Deus, ninguém lhe daria importância”. Talvez esse seria um dos trechos que provocou a perseguição da Igreja.
Na sequência, Benta fala dos deuses gregos, a causa da guerra de Troia, os fenícios e a invenção do alfabeto. Sobre Roma, o livro apresenta a origem da cidade de acordo com a lenda dos irmãos Rômulo e Remo e a loba. A seguir, passa pelo império de Alexandre, Júlio César, Cleópatra, Nero e Constantino, incluindo a perseguição dos cristãos e ascensão do Cristianismo, além de apresentar os povos bárbaros e os deuses nórdicos e os povos árabes.
Observando que a obra é destinada ao público infantil, sendo de caráter educativo tratando de fatos históricos, ao contrário dos livros infantis de hoje que apresentam, geralmente, histórias fantásticas e textos curtos.
Voltando, o livro, do meu ponto de vista, faz uma crítica quando coloca que a Europa inteira acreditava que o mundo ia acabar no ano 1000 devido a uma frase da Bíblia, e no contexto do livro, já havia passado 933 anos e nada de fim do mundo.
Na sequência, fala do período da cavalaria, das cruzadas, surgimento da imprensa, da descoberta da América, da encrenca de Martinho Lutero com a Igreja, da Revolução Francesa, da Primeira Guerra Mundial.

Os capítulos finais falam da Segunda Guerra Mundial, mas me surgiu uma curiosidade: o livro de Hillyer foi publicado em 1924 e o de Lobato em 1933, considerando que a Segunda Guerra aconteceu entre 1939 e 1945, como Lobato poderia ter falando dela alguns anos antes?
 Bem, tentei localizar o sumário da primeira edição, pois a que tenho é a 38ª edição de 1994. Não consegui encontrá-la, mas li na descrição do livro em determinada livraria virtual que o texto passou por revisões e Lobato acrescentou novos acontecimentos, como a Segunda Guerra Mundial e a bomba de Hiroshima.

Enfim, é a minha indicação dessa semana.

Boa leitura!

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