SEMANA 12 – Histórias do Mundo Para Crianças (Monteiro Lobato)
Publicado
em 1933, a obra é uma adaptação do livro Child’s History of the World, de Virgil
M. Hillyer, publicado em 1924 nos Estados Unidos. Na história, dona Benta
recebe o livro pelo correio e depois de analisá-lo, resolveu lê-lo para a
turminha.
Vou
adiantando que esse livro rendeu a Lobato censura e perseguição por parte da
Igreja e do governo brasileiro, sob a justificativa de ser um livro perigoso
para ser lido por crianças.
A
história começa contando a origem do mundo de acordo com a visão da ciência, esquecendo
a visão religiosa. Depois segue para os habitantes das cavernas, passando pela
descoberta do fogo, que permitiu ao homem produzir várias outras coisas.
Passando
pelos hieróglifos, pelas pirâmides e pelos deuses egípcios, dona Benta fala dos
babilônios, dos assírios e dos hebreus, contando a história de Moisés. Sobre
esse último caso, Pedrinho questiona se Moisés realmente recebeu a Tábua dos
Dez Mandamentos de Deus, dona Benta responde que “se ele não afirmasse ter recebido
a Lei das mãos de Deus, ninguém lhe daria importância”. Talvez esse seria um
dos trechos que provocou a perseguição da Igreja.
Na
sequência, Benta fala dos deuses gregos, a causa da guerra de Troia, os fenícios
e a invenção do alfabeto. Sobre Roma, o livro apresenta a origem da cidade de
acordo com a lenda dos irmãos Rômulo e Remo e a loba. A seguir, passa pelo
império de Alexandre, Júlio César, Cleópatra, Nero e Constantino, incluindo a
perseguição dos cristãos e ascensão do Cristianismo, além de apresentar os povos
bárbaros e os deuses nórdicos e os povos árabes.
Observando
que a obra é destinada ao público infantil, sendo de caráter educativo tratando
de fatos históricos, ao contrário dos livros infantis de hoje que apresentam,
geralmente, histórias fantásticas e textos curtos.
Voltando,
o livro, do meu ponto de vista, faz uma crítica quando coloca que a Europa
inteira acreditava que o mundo ia acabar no ano 1000 devido a uma frase da Bíblia,
e no contexto do livro, já havia passado 933 anos e nada de fim do mundo.
Na
sequência, fala do período da cavalaria, das cruzadas, surgimento da imprensa,
da descoberta da América, da encrenca de Martinho Lutero com a Igreja, da Revolução
Francesa, da Primeira Guerra Mundial.
Os capítulos finais falam da Segunda Guerra Mundial, mas me surgiu uma curiosidade: o livro de Hillyer foi publicado em 1924 e o de Lobato em 1933, considerando que a Segunda Guerra aconteceu entre 1939 e 1945, como Lobato poderia ter falando dela alguns anos antes?
Bem,
tentei localizar o sumário da primeira edição, pois a que tenho é a 38ª edição
de 1994. Não consegui encontrá-la, mas li na descrição do livro em determinada
livraria virtual que o texto passou por revisões e Lobato acrescentou novos
acontecimentos, como a Segunda Guerra Mundial e a bomba de Hiroshima.
Enfim,
é a minha indicação dessa semana.
Boa
leitura!

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