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Publicado
em 1915, o romance do escritor pré-modernista Lima Barreto conta a história de
Policarpo Quaresma, um funcionário público extremamente patriota. De acordo com
dicionário Priberam da Língua Portuguesa, patriota é alguém que tem amor à
pátria e a deseja servir.
Policarpo
Quaresma, com todo o seu nacionalismo, propõe ao governo que reconheça a língua
tupi como língua nacional, além de afirmar que os verdadeiros brasileiros são
os indígenas, pois já habitavam Pindorama, chamada de Ilha de Vera Cruz pelos saqueadores,
quero dizer pelos colonizadores, que aqui chegaram por acaso (não é piada).
Em
determinado momento, Policarpo recebe a visita de seu compadre. Ao abrir a
porta, começou a chorar fazendo uma cena aparentemente de desespero, pouco
tempo depois, parou e disse que era daquela forma que os tupinambás se
cumprimentavam. No decorrer da obra, são apresentadas outras cenas em que
Policarpo defende por serem nativas dos indígenas e que foram substituídas pelos
costumes estrangeiros. (Citei apenas essa cena, para o texto não ficar longo)
Esse
fato lhe causou a internação em um hospital psiquiátrico, sendo considerado
louco. Nesse período, ele só foi visitado por Olga e Ricardo, que acreditavam
nas suas ideias. Quando saiu do hospital, foi morar em um sítio, isolado da
sociedade, passando a se ocupar com a agricultura.
Algum
tempo depois, Policarpo apoio o governo do Marechal Floriano Peixoto, foi incorporado
a um batalhão para lutar Revolta Armada. Ao ver o tratamento dados aos
prisioneiros, escreve uma carta para o marechal Floriano denunciado a situação
de escolha para execução, o que resultou em sua prisão acusado de traição, bem
como condenação ao fuzilamento.
Esse
livro nos faz refletir sobre até que ponto se pode considerar patriota, como
diz a definição, esse termo se refere ao
amor à nação, o que não se deve confundir com louvar uma exclusiva seleção esportiva
como se fosse o único esporte praticado com Brasil e se preocupar apenas com
uma bandeira e um hino.
Enquanto
o país declina em quase todos os sentidos, seus representantes e pessoas que se
dizem patriotas valorizam países e bandeiras estrangeiras e esquecem de tentar
resolver os problemas de sua nação se sustentando em discursos nacionalistas
com o mínimo de ação prática. Vale ressaltar que o faz de conta só funciona no
mundo da literatura, na vida real dizer “faz de conta que o país não tem problemas”
não funciona.
Enfim,
é a minha indicação dessa semana.
Boa
leitura!

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