sábado, 14 de março de 2020

Leitura Já! Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)

SEMANA 11 – Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)

Arquivo pessoal

Publicado em 1915, o romance do escritor pré-modernista Lima Barreto conta a história de Policarpo Quaresma, um funcionário público extremamente patriota. De acordo com dicionário Priberam da Língua Portuguesa, patriota é alguém que tem amor à pátria e a deseja servir.
Policarpo Quaresma, com todo o seu nacionalismo, propõe ao governo que reconheça a língua tupi como língua nacional, além de afirmar que os verdadeiros brasileiros são os indígenas, pois já habitavam Pindorama, chamada de Ilha de Vera Cruz pelos saqueadores, quero dizer pelos colonizadores, que aqui chegaram por acaso (não é piada).
Em determinado momento, Policarpo recebe a visita de seu compadre. Ao abrir a porta, começou a chorar fazendo uma cena aparentemente de desespero, pouco tempo depois, parou e disse que era daquela forma que os tupinambás se cumprimentavam. No decorrer da obra, são apresentadas outras cenas em que Policarpo defende por serem nativas dos indígenas e que foram substituídas pelos costumes estrangeiros. (Citei apenas essa cena, para o texto não ficar longo)
Esse fato lhe causou a internação em um hospital psiquiátrico, sendo considerado louco. Nesse período, ele só foi visitado por Olga e Ricardo, que acreditavam nas suas ideias. Quando saiu do hospital, foi morar em um sítio, isolado da sociedade, passando a se ocupar com a agricultura.
Algum tempo depois, Policarpo apoio o governo do Marechal Floriano Peixoto, foi incorporado a um batalhão para lutar Revolta Armada. Ao ver o tratamento dados aos prisioneiros, escreve uma carta para o marechal Floriano denunciado a situação de escolha para execução, o que resultou em sua prisão acusado de traição, bem como condenação ao fuzilamento.

Esse livro nos faz refletir sobre até que ponto se pode considerar patriota, como diz  a definição, esse termo se refere ao amor à nação, o que não se deve confundir com louvar uma exclusiva seleção esportiva como se fosse o único esporte praticado com Brasil e se preocupar apenas com uma bandeira e um hino.
Enquanto o país declina em quase todos os sentidos, seus representantes e pessoas que se dizem patriotas valorizam países e bandeiras estrangeiras e esquecem de tentar resolver os problemas de sua nação se sustentando em discursos nacionalistas com o mínimo de ação prática. Vale ressaltar que o faz de conta só funciona no mundo da literatura, na vida real dizer “faz de conta que o país não tem problemas” não funciona.

Enfim, é a minha indicação dessa semana.

Boa leitura!

Nenhum comentário:

Postar um comentário