domingo, 4 de março de 2018

Mistério da Meia-Noite (Parte 1)

MISTÉRIO DA MEIA-NOITE

Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com

PARTE 1

Poucos dias depois do início da quaresma, Alana, estudante do primeiro ano do Ensino Médio, convidou seus amigos e colegas de classe, Érique e Carla, para passarem o final de semana no sítio que sua tia, Júli, acabara de comprar para morar com sua filha Natália. Esse sítio não fica muito longe da cidade de Nova Corinto, mas os antigos donos não revelaram o motivo pelo qual a propriedade foi vendida, só disseram que teriam que sair daquele lugar assombrado o mais rápido possível. Júli, que não é supersticiosa, preferiu acreditar que ladrões estavam tentando assustá-los para roubar objetos de valor do sítio.
No terreno, há um sobrado, de dois andares, rodeado por várias árvores frutíferas, um poço de água subterrânea e uma horta com uma vasta variedade de verduras e legumes. Por ser uma propriedade afastada da cidade, os vizinhos mais próximos moram a mais ou menos um quilômetro de distância. Mas há energia elétrica e sinal de celular, que fica caindo o tempo todo impossibilitando o acesso à internete. A paz impera acompanhada dos cantos dos pássaros.
Nas proximidades do sítio, existe uma enorme mata, praticamente fechada, com vários animais quadrúpedes e rastejantes, que, às vezes, tentam ultrapassar as cercas proteção da casa, e um riacho, que nasce em uma cachoeira, com muitas espécies de peixes, que passa por dentro do terreno do sítio, a uns 15 minutos da casa, andando.
No final da tarde de sexta-feira, um carro deixou os visitantes na frente do portão de entrada do sítio. Pendurada na estrutura de madeira que cobria o portão, de duas partes de madeira, havia uma placa, também de madeira, com o nome da propriedade entalhada: Sítio Lua Cheia.
Érique é alto, 1,75m, moreno claro, usa óculos de descanso. Carla, 1,60m, é loira de olhos azuis e com cabelos na altura dos ombros. Alana, 1,65m, é meio ruiva de pele clara e um pouco medrosa. Os outros dois são mais decididos e destemidos, só acreditam no que veem.
Eles seguiram pelo caminho de pedras, de 100 metros que levava à frente da casa. As anfitriãs, Júli e Natália, estavam na frente da casa, embaixo de uma goiabeira, que por sinal tinha muitas frutas maduras. Júli aparenta estar na faixa dos quarenta anos, mas diz que não passa dos 30, é morena de cabelos compridos e ondulados. Natália é morena, 1,60m, cabelos compridos, tem uma personalidade mais atrevida e controlada, e assim como a sua prima, Alana, tem a mesma idade dos visitantes: 16 anos, e foi matriculada na mesma turma, isso porque sua mãe, Júli, fez uma encenação digna de um óscar para conseguir uma vaga na mesma escola.
Depois dos cumprimentos, os visitantes pegaram goiabas dos galhos mais baixos e seguiram para dentro de casa.
– Vocês já fizeram bananada com essas goiabas? – Brincando, perguntou Érique.
– Não estamos no Sítio do Picapau Amarelo, Gilberto Gil! – Respondeu Natália, rindo.
– Não perco a chance de ouvir as músicas de Gil, e dos outros tropicalistas.
– Também gosto deles e de todos da MPB. As músicas são sempre atuais e nunca são esquecidas.
– A propósito, achei interessante o nome daqui: Sítio Lua Cheia. Foi você quem escolheu, tia? – Questionou Alana.
– Realmente a MPB é incomparável. Tenho vários discos, CDs, DVDs de vários cantores. E respondendo à sua pergunta, Alana: não, a escolha foi dos antigos donos, na época da construção dessa casa. Se não me engano, este final de semana será de lua cheia. Quando a lua aparecer, vou mostrar a vocês o motivo do nome deste sítio. Agora subam para guardar as mochilas. Quem quiser tomar banho, o banheiro fica na área de serviço.
Enquanto os meninos foram guardar as bolsas no andar superior da casa, Júli foi preparar o jantar. Pouco tempo depois de Natália levá-los para conhecerem os quartos, desceram e foram andar debaixo das mangueiras nos fundos da casa. O chão, ao redor da casa, é coberto por uma grama bem verde e conservada. Seguindo a fileira de mangueiras, ao lado da área de serviços, nos fundos, havia duas placas fotovoltaicas, medindo aproximadamente três metros quadrados, cada, apoiadas em uma espécie de pilastra de aço de 1,50m de altura.
Ao se aproximarem dos painéis, Natália disse que eram as placas de energia solar que eles já tinham visto nos livros, e em fotos, mas nunca pessoalmente. No sítio, a energia elétrica é usada pelos aparelhos que mais consomem energia, como máquina de lavar, aparelhos de som e de DVD, computador, televisores e geladeira. Já a energia solar é usada pelos eletrônicos que menos consomem, como lâmpadas, bomba de água e outros. Como se sabe, a irradiação solar é captada pelas células fotovoltaicas que transformam o calor em energia e carregam baterias, que permanecem carregadas por determinado tempo, a depender da capacidade de absorção das placas.
O sol estava quase desaparecendo atrás das árvores que faziam enormes sombras no quintal. Os meninos aproveitaram a belíssima paisagem para tirar várias fotos próximos às árvores e debaixo delas. Logo que não havia mais a luz do sol, enquanto um tomava banho, os outros tiravam mais fotos, dessa vez, dos periquitos que pousaram nas goiabeiras da frente da casa. Até gravações foram feitas desses pássaros bicando as goiabas e emitindo seu canto admirável.


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