O
CANTO DA CIGARRA
Por
Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com
Como todos sabem, as formigas
estão sempre trabalhando para que não lhes falte comida durante o inverno.
Para isso, elas passam o dia
carregando folhas para armazenar no formigueiro.
Já as cigarras preferem
aproveitar o momento cantando as suas belas composições.
Enquanto as formigas passavam
com pedaços de folhas nas costas em direção ao formigueiro, estava lá a cigarra
sentada no galho de uma árvore cantando como se estivesse no Carnaval.
– O que é isso, amiga Formiga?
Vamos nos divertir um pouco! Você não para de carregar folha para lá e para cá.
– Se eu não guardar comida, no
inverno morrerei de fome. E você deveria fazer o mesmo!
– Não, obrigada! Essas árvores
estão cheias de folhas e de fome não morrerei. Você que trabalha de mais!
Aproveite o momento, Carpe Diem, doida!
– Está bem! Faça como achar
melhor! E depois não diga que cigarra não tem sorte.
Vários dias se passaram e a Cigarra
estava lá envolvida com a música e a Formiga estava levando os últimos pedaços
de folhas para a sua casa.
O tempo esfriou. Já era
inverno e a Cigarra estava quase morrendo de frio e de fome, pois não tinha
guardado nem uma folha para comer naquele tempo frio. Foi assim que teve uma
ideia.
A formiga estava em seu doce e
quente formigueiro quando ouviu batidas na porta. Era a Cigarra, tremendo de
frio, espirrando e morrendo de fome.
– Amiga Formiga, você poderia
me ajudar? Estou com muita fome e esse frio está me matando. Olha só, a minha
pele está toda ressecada!
– O que você fazia enquanto eu
estava trabalhando?
– Ué! Você não se lembra? Eu
passei o verão e o outono todo cantando.
– Claro que me lembro. Já que
você cantou, agora dance!
– Calma aí... Eu só canto, não
sei dançar.
– Mas é muito ousada! Por que
você não fica cantando lá sentada naquela planta, como você fazia enquanto eu
estava trabalhando?
– Eu estava aproveitando o
momento sem me preocupar com o futuro. Só agora que o inverno chegou, eu percebi
que eu estava errada e estou aqui implorando por sua piedade.
A formiga refletiu as declarações
da Cigarra e percebeu que só trabalhou e não teve nenhum momento para se
distrair um pouco, como a Cigarra fez o tempo inteiro.
– Tudo bem, vou te abrigar na
minha casa, mas com duas condições!
– Eu te agradeço imensamente e
te prometo que faço o que você quiser!
– Bem... A primeira condição é
nos ajudar a guardar comida no próximo verão.
– Claro que sim, amiga, eu
aprendi a lição. E a segunda?
– Como eu não tive tempo de me
divertir, vamos agitar esse formigueiro! Está esperando o que para começar a festa?
– Cantar? Só se for agora!
Moral:
Não se vive só de diversão ou só de trabalho.
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