domingo, 25 de março de 2018

Mistério da Meia-Noite (Parte 4)

MISTÉRIO DA MEIA-NOITE

Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com

PARTE 4

Poucos minutos depois, Júli chamou os chamou para tomarem o café da manhã. Depois do café, Júli colocou um CD de músicas selecionadas da MPB no som – a primeira a tocar foi Planeta Sonho de Milton Nascimento – e dividiram as tarefas de casa com as meninas. Érique foi pegar algumas mangas para fazer suco para o almoço.

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Após colocar as frutas em cima da pia, pegou a câmera e voltou ao galinheiro para tirar fotos da porta arrancada, isso porque só tinha fotografado a parte de dentro. Ainda com a câmera, seguiu para o lado da casa por onde o lobisomem passou, mas só se podia ver a grama amassada. Mesmo assim, tirou algumas fotos, para analisar melhor.
Neste momento, ele se lembrou de que o empregado disse que a porta arranhada estava no depósito e foi até lá. A porta estava encostada na parede de fundo. Tinha cinco riscos quase do mesmo tamanho na parte de cima e na parte de baixo. Ao ver as marcas de possíveis garras, achou-as estranhas e chamou Carla, que estava na cozinha.
– Ei! Carla! Venha ver isso aqui.
– Venha ver isso aqui... Por favor!
– É a porta que o empregado disse que tinha sido arranhada...
– Nossa! Eu acho que algum espertinho está se fazendo de lobisomem para ficar com esse sítio.
– Eu acho a mesma coisa. Mas quem estaria fazendo isso?
– Não sei quem. Mas nós vamos descobrir.
– Olhe essas marcas na porta. Se eu imitar garras com as minhas mãos, assim, as marcas dos polegares estariam mais afastadas dos outros dedos. E outra coisa: as marcas dos polegares começariam um pouco mais abaixo dos outros dedos. E essas aqui não. São todas quase do mesmo tamanho.
– Você tem razão. Parece que essas marcas foram feitas com alguma coisa...
– Com uma foice, talvez?
– Se tivesse usado uma foice, as marcas seriam mais profundas e desordenadas.
– Fui lá no lado em que vimos o ser passar, para ver se eu conseguia encontrar marcas de sapatos, mas a grama não colaborou.
Do outro lado do depósito, estavam amontoadas várias ferramentas. Carla, ao vê-las, chegou mais perto e pegou uma, em especial.
– Érique, você sabe para que serve um ancinho?
– Para juntar galhos e folhas secas...
– Você conseguiria arranhar uma porta com isso?
– Dê-mo aqui...
– Dê-mo! Estou vendo que alguém sabe usar a ênclise...
– Gracinhas à parte, vamos colocar os dentes do ancinho em cima das marcas da porta... Está vendo? Encaixa como uma luva. É obvio que os arranhões foram feitos com esse ancinho. Pegue a minha câmera e tire fotos.
– Temos que mostrar isso às meninas.
– Vamos pensar em uma forma de pegar esse falso lobisomem.
– Isso. Depois do almoço, chamaremos Alana e Natália para irmos ao riacho. Lá, a gente faz uma reuniãozinha para encontrar uma forma de capturar esse espertinho.
– Certo. Vou pensar em algo.

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Após o almoço, os meninos foram ver a cachoeira, da qual nasce o riacho. Eles aproveitaram para admirar a nascente do riacho com a bela paisagem natural enquanto se sentaram em círculo embaixo de uma mangueira, às margens da cachoeira, para comentar o caso.
– Então, meninas... Natália e Alana, eu trouxe a minha câmera para vocês verem essas fotos. Hoje, de manhã, enquanto vocês estavam arrumando a casa, eu fui investigar o caso. Olhem essas marcas de garras na porta que o empregado falou que tinha trocado! Combinam com os espaços dos dentes do ancinho que Carla encontrou no depósito.
– Eu sempre achei que havia alguma coisa errada com a venda do sítio. Minha mãe disse que os antigos donos não disseram por que queriam se mudar.  Até o empregado acredita nessa história de lobisomem. Mas ele nunca se mudou daqui.
– Talvez ele não tenha para onde ir. Temos que criar um plano para capturar seja lá quem for.
– Érique tirou fotos do lado por onde vimos o monstro passar. Eu fui ver também, mas, infelizmente, não ficaram rastros na grama que dessem para identificar. Não dá para saber se os rastros foram deixados por sandálias ou sapatos.
– Também olhei, Carla, ficou na mesma. A propósito, Natália, ontem, você falou algo sobre os pelos presos em fios de arame, se não me engano.
– Bem lembrado, Alana, na volta, mostrarei a vocês onde foi. Mas não estão mais lá. O vento deve ter levado.
Poucos minutos depois, ao som suave da queda d’água, surgiram as primeiras ideias através de Carla e Érique.
– Já sei! Hoje, a noite é de lua cheia. Se ele veio ontem, é possível que venha hoje também. Vamos nos dividir e pegá-lo de surpresa...
– Tenho um plano! Vamos formar duplas: Eu e Carla ficamos no meu quarto, Alana e Natália ficam no quarto de vocês. Assim, quando ele aparecer, a gente desce vai atrás dele. A noite vai ter lua cheia e tudo pode acontecer!
– Temos que estar preparados com algo para amarrá-lo. Acho que vi uma corda no depósito. Se ela te chamar e quiser te amar, você vai, Pepeu Gomes!
Ouvindo aquilo, Natália e Alana começaram a trocar olhares indiferentes.
– Um momento! Vocês não acham isso meio perigoso?
– E se ele tiver uma arma? Eu acho que isso não vai dar certo.
Carla e Érique, ao perceber que as duas não gostaram da ideia, tentaram contornar a situação.
– Meninas, deixem de ser covardes!
– Digo o mesmo que Érique. Além do mais, se ele tivesse uma arma, já teria invadido a casa e ameaçado Júli e você, Natália.
– E o empregado também...
– Como Júli tem um sono pesado, vamos esperá-la dormir para colocar o nosso plano em ação. Estão comigo?
Pelo tempo que Carla e Alana conhecem Érique, sabem muito bem que não adiantaria ficar contra. Carla aceitou com facilidade, pois também gosta de participar de confusões. Já Alana ficou meio desconfiada. Como Natália estava em minoria, teve que concordar com o plano. Antes do pôr do sol, voltaram para casa, para Júli não ficar preocupada com a ausência.
No caminho de volta, Érique mencionou, rapidamente, que tinham que resolver o mistério antes voltarem para a cidade. O ser apareceu na noite anterior, sexta-feira, e poderia aparecer mais uma vez naquela noite de sábado, que era a única chance de capturá-lo, pois iriam embora no domingo à tarde.
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sexta-feira, 23 de março de 2018

Vida Maria - Produção Textual

Os alunos do 7.º ano D da Escola Municipal Professora Eunice de Souza Oliveira – EMPESO (Olindina/BA) assistiram ao curta “Vida Maria”, produzido por Márcio Ramos, com o objetivo de desenvolver um texto com base nas questões norteadoras abaixo.

1. Onde se passa a história de “Vida Maria”? Que elementos do vídeo te ajudaram a descobrir isso?

2. No início do curta, a mãe diz: “Em vez de ficar perdendo tempo desenhando o nome, vá lá pra fora...”. Por que, para a mãe, desenhar o nome é perda de tempo?

3. Qual a mensagem que pretendeu passar o produtor, com o passar das folhas do caderno ao final do curta? Porque o foco no final do vídeo vai para o caderno?

4. Porque o curta tem o título: “Vida Maria”? Que outro título poderia ser dado a ele?

5. Faça uma comparação entre a oportunidade que você está tendo de estudar e a oportunidade apresentada para as Marias do vídeo.


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Imagem do Google


Sinopse: Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.

“O filme nos mostra a história da rotina da personagem “Maria José”, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça. Enquanto trabalha ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.

(https://www.revistaprosaversoearte.com/vida-maria-um-curta-metragem-que-todos-os-alunos-devem-assistir/)


Brevemente, serão postados alguns textos em outra publicação.



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Terra, Planeta Água - Produção Textual

Em comemoração ao Dia Mundial da Água (22 de março), os alunos do 6.º ano C da Escola Municipal Professora Eunice de Souza Oliveira – EMPESO (Olindina/BA) assistiram ao vídeo “Planeta Água”, de Guilherme Arantes, afim de conscientizá-los de que é preciso preservar o nosso bem mais precioso.

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Imagem do Google

Tal atividade teve como objetivo desenvolver um texto com base nas questões norteadoras abaixo.

1. De que a música está falando?
2. Onde encontramos água é nosso planeta?
3. Por que a água é tão importante para a nossa vida?
4. O que fazer para preservar a água em nosso planeta?
5. Desenvolva um acróstico com a palavra ÁGUA.


Brevemente, serão postados alguns textos em outra publicação.


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domingo, 18 de março de 2018

O Canto da Cigarra (fábula)

O CANTO DA CIGARRA
Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com


Como todos sabem, as formigas estão sempre trabalhando para que não lhes falte comida durante o inverno.
Para isso, elas passam o dia carregando folhas para armazenar no formigueiro.
Já as cigarras preferem aproveitar o momento cantando as suas belas composições.
Enquanto as formigas passavam com pedaços de folhas nas costas em direção ao formigueiro, estava lá a cigarra sentada no galho de uma árvore cantando como se estivesse no Carnaval.
– O que é isso, amiga Formiga? Vamos nos divertir um pouco! Você não para de carregar folha para lá e para cá.
– Se eu não guardar comida, no inverno morrerei de fome. E você deveria fazer o mesmo!
– Não, obrigada! Essas árvores estão cheias de folhas e de fome não morrerei. Você que trabalha de mais! Aproveite o momento, Carpe Diem, doida!
– Está bem! Faça como achar melhor! E depois não diga que cigarra não tem sorte.
Vários dias se passaram e a Cigarra estava lá envolvida com a música e a Formiga estava levando os últimos pedaços de folhas para a sua casa.
O tempo esfriou. Já era inverno e a Cigarra estava quase morrendo de frio e de fome, pois não tinha guardado nem uma folha para comer naquele tempo frio. Foi assim que teve uma ideia.
A formiga estava em seu doce e quente formigueiro quando ouviu batidas na porta. Era a Cigarra, tremendo de frio, espirrando e morrendo de fome.
– Amiga Formiga, você poderia me ajudar? Estou com muita fome e esse frio está me matando. Olha só, a minha pele está toda ressecada!
– O que você fazia enquanto eu estava trabalhando?
– Ué! Você não se lembra? Eu passei o verão e o outono todo cantando.
– Claro que me lembro. Já que você cantou, agora dance!
– Calma aí... Eu só canto, não sei dançar.
– Mas é muito ousada! Por que você não fica cantando lá sentada naquela planta, como você fazia enquanto eu estava trabalhando?
– Eu estava aproveitando o momento sem me preocupar com o futuro. Só agora que o inverno chegou, eu percebi que eu estava errada e estou aqui implorando por sua piedade.
A formiga refletiu as declarações da Cigarra e percebeu que só trabalhou e não teve nenhum momento para se distrair um pouco, como a Cigarra fez o tempo inteiro.
– Tudo bem, vou te abrigar na minha casa, mas com duas condições!
– Eu te agradeço imensamente e te prometo que faço o que você quiser!
– Bem... A primeira condição é nos ajudar a guardar comida no próximo verão.
– Claro que sim, amiga, eu aprendi a lição. E a segunda?
– Como eu não tive tempo de me divertir, vamos agitar esse formigueiro! Está esperando o que para começar a festa?
– Cantar? Só se for agora!


Moral: Não se vive só de diversão ou só de trabalho.

Mistério da Meia-Noite (Parte 3)

MISTÉRIO DA MEIA-NOITE

Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com

PARTE 3

Por volta da meia-noite, Alana disse ter ouvido pisadas no lado da casa. Carla e Natália afirmaram não terem ouvido nada. Elas se ativeram ao silêncio da noite e também tiveram a impressão de ouvirem passos pesados indo para os fundos da casa. As três se levantaram, com a luz apagada e foram, nas pontas dos pés, para a janela de guilhotina que estava aberta para entrar o vento suave da noite.
Os galhos de algumas árvores dos lados da casa estavam na altura do andar superior. Por causa disso e das sombras criadas pelas árvores maiores, não era possível ver o que passava por baixo. Só se poderia ver se fosse dia. Não se ouviam mais as pisadas. Mesmo sem ver nada, elas sussurraram alguma coisa. Em seguida, ouviram o barulho da porta do galinheiro sendo arrombada e as galinhas começaram a gritar. Alana e Natália ficaram pasmadas, mas Carla ainda continuou cética.
O quarto em que Érique estava tinha janelas viradas para os fundos, onde fica o galinheiro. Quando ouviu os passos pesados, também, com as luzes apagadas, foi para a janela. Mesmo com as sombras das árvores, viu um vulto preto derrubando a porta e entrando no galinheiro e ouviu o barulho feito pelas galinhas.
Era algo parecido com um animal andando nas patas traseiras e aparentemente peludo. A silhueta era um pouco mais alta e mais forte que a de um homem normal. Enquanto tentava não acreditar no que poderia estar vendo, um possível lobisomem, olhou para a porta do quarto e viu a câmera digital em cima da mochila. Correu para pegá-la e voltou para a janela. Ligou e começou a tirar fotos com flash com o intuito de atrair a atenção do ser.
Vendo os reflexos dos flashes, as meninas foram para o quarto de Érique a passos rápidos, mas sem fazer barulho, pois Júli estava dormindo e elas não queriam acordá-la. Poucos segundos depois, o vulto saiu correndo pela única porta do galinheiro, seguindo para os lados do riacho. As meninas afirmaram terem visto o focinho e as garras, mas Érique estava acompanhando pela tela da câmera e só conseguiu ver um bicho peludo. A claridade da câmera não alcançou o monstro e em todas as fotos só se podia ver um vulto mais escuro meio distorcido.
Depois desse fato, as meninas voltaram ao quarto, em silêncio, e todos foram dormir. Natália e Alana estavam meio assustadas, mas Érique e Carla continuavam sem querer acreditar no que seus olhos viram. Nesse momento, o relógio marcava 00:40.

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No dia seguinte, sábado, desceram cedo para a sala de estar, antes das 7h. Júli se levantou para preparar o café da manhã e ao se aproximar da escada ouviu uma miniconfusão na sala. Ela desceu perguntando o motivo da gritaria. Os meninos responderam ao mesmo. Já ao lado do sofá, Júli pediu silêncio e perguntou de novo. Mais uma vez, os quatro falaram ao mesmo tempo.
 – Chega! Não quero saber mais.
– Espere, mãe! Vamos falar um de cada vez.
– Tudo bem! Pode começar, Érique?
– Claro! Ontem, à noite, nós vimos um lobisomem...
– Foi mesmo, tia Júli. As orelhas eram enormes.
– Eu fiquei arrepiada!
– Vocês são muito criativos! Já pensaram em escrever contos de seres fantásticos?
– Veja esta foto que consegui tirar com a minha câmera!
– Deixe-me ver... Só estou vendo uma parede e algumas árvores.
– Olhe aqui... Esse vulto preto...
– Ah! A sombra de uma árvore.
– Mãe, ele entrou no galinheiro...
– Você não ouviu a gritaria das galinhas?
– Não ouvi nada. Tenho o sono pesado. Mas mesmo assim...
– Vamos lá fora, tia, para você ver com seus próprios olhos.
– O lobisomem que vocês viram está lá fora?
– Não. Mas os estragos sim.
– Eu vou só para provar que vocês estão tentando me pregar uma peça.
– Então, vamos!
Quando saíram pelo fundo, viram a porta do galinheiro encostada na parede pelo lado de fora. Dentro, havia penas e pedaços de algumas galinhas espalhados para todos os lados. Érique estava tirando fotos com sua câmera e, enquanto Júli e as meninas olhavam o que sobrou do galinheiro, chegou o empregado.
– O que aconteceu aqui?
– Agora acredita em nós?
– Deve ter sido alguma raposa...
– Uma raposa que consegue derrubar uma porta de madeira?
– O que nós vimos tinha quase dois metros de altura. Não parecia nada com uma raposa. Sem falar que saiu correndo de dois pés e não de quatro patas... Acho que alguém está fazendo isso, pois esse ser fantástico não existe.
– Dona Júli, as crianças podem estar falando a verdade. Quando ouvi as galinhas gritarem, saí para ver o que era. Cheguei perto da cerca e vi o lobisomem derrubando a porta do galinheiro. Depois o bicho saiu correndo e uivou lá embaixo. E não era uma pessoa, era um lobisomem mesmo!  Daí voltei correndo para casa e me tranquei. Quando amanheceu, vim aqui, a porta estava meio solta. Tirei e coloquei encostada na parede. A senhora viu a situação do galinheiro?
– Adolescentes! Somos adolescentes e não crianças.
– Que seja... Pode ter sido algum ladrão que derrubou a porta e depois entrou alguma raposa e atacou as galinhas...
– Nós vimos tudo pela janela. Não apareceu raposa nenhuma.
– Enquanto vocês ficam aí falando que viram uma pessoa fantasiada ou um ser fantástico, eu vou preparar o café da manhã.
Depois que Júli foi para a cozinha, o empregado disse aos meninos que há alguns dias ouviu o bicho uivando perto do riacho e desde que ele veio trabalhar no sítio, todos os anos, na quaresma, o lobisomem aparece nos arredores da casa. Disse também que no ano passado, o monstro tentou invadir a casa e deixou as marcas das garras na porta dos fundos. Esse foi o principal motivo pelo qual os antigos donos venderam a propriedade.
– Bem... A porta da cozinha está fechada e não estou vendo marca nenhuma.
– Menino, na semana seguinte ao ataque me mandaram comprar e colocar outra porta. A arranhada está no depósito, eu mesmo a guardei lá. Agora eu tenho que ir até a cidade.

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sexta-feira, 16 de março de 2018

Percy Jackson - Mitologia e Modernidade - Produção Textual

Através do conteúdo de Texto Narrativo, da disciplina de Redação, os alunos do 7.º ano da Escola Municipal Professora Eunice de Souza Oliveira (EMPESO), no município de Olindina/BA, tiveram uma sessão de cinema com o filme Percy Jackson e Ladrão de Raios.
Imagem do Google

Previamente, os alunos dessa turma leram, em sala, um texto que abordava elementos da mitologia grega, como deuses, semideuses e outros seres fantásticos.

Esse filme foi apresentado com o objetivo de demonstrar aos alunos tais seres mitológicos gregos de forma visual, além da solicitação da produção de um texto com base nas seguintes questões norteadoras: 
1) Qual era a importância do raio de Zeus para os deuses? 
2) Quem eram os principais deuses do Olimpo que aparecem no filme?
3) Quais elementos mitológicos você já conhecia?
4) Por que Hades, o deus das profundezas, odiava os seus irmãos, Poseidon e Zeus? 
5) Por que um deus não poderia conviver com seus filhos, os semideuses? 
6) Explique quais foram as aventuras vividas por Percy Jackson e quais foram os seres mitológicos que ele enfrentou para conseguir as três pérolas. 
7) De qual personagem do filme você mais gostou? Justifique.
8) Qual foi a cena que você mais gostou no filme? Descreva-a com detalhes e justifique a sua escolha.
9) Escolha qualquer ser mitológico retratado no filme e faça uma pesquisa sobre suas características.
10) Avalie o filme e a atividade como um todo, destacando os seus pontos positivos e negativos.

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domingo, 11 de março de 2018

Mistério da Meia-Noite (Parte 2)

MISTÉRIO DA MEIA-NOITE

Por Evaí Oliveira
evayoliveira@hotmail.com

PARTE 2

Enquanto jantavam, os meninos comentaram sobre o recesso de Semana Santa. Com isso, Júli disse que não sabia por que cada ano era em uma data diferente. Alana deu uma explicação bem sucinta.
– Tia Júli, veja só, a Semana Santa começa no Domingo de Ramos e acaba no domingo de Páscoa. A questão se refere à data da Páscoa, que assim como outras celebrações da Igreja Católica, é móvel. Já ouviu falar do imperador romano Constantino? Então, no ano 325 depois de Cristo, Constantino convocou o Primeiro Concílio de Niceia, para tratar de algumas questões relacionadas ao cristianismo. Nesse concílio, foi determinado que a Páscoa cristã seria celebrada no primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre após o equinócio de primavera no Hemisfério Norte, isso entre 21 de março e 25 de abril. Aqui no Hemisfério Sul, nessa data ocorre o equinócio que marca o início do outono, período em que as noites são mais longas que os dias.
Carla estava sentada ao lado de Júli. Levantou-se e pegou o calendário que estava pendurado na parede e mostrou a ela.
– Vamos ver... aqui... Neste ano de 2016, o outono se inicia no dia 21 de março. A primeira lua cheia depois dessa data será no dia 23, uma quarta-feira. Certo? O próximo domingo é dia 27 de março: Domingo de Páscoa. Isso faz com que todas as comemorações relacionadas também mudem de data.
– Como o Carnaval e a Quaresma?
– Exatamente. Sabendo da data da Páscoa, 27 de março, é só voltar 47 dias e teremos a terça-feira de Carnaval no dia 9 de fevereiro. Obviamente, a Quaresma começa um dia depois, na Quarta-feira de Cinzas, dia 10 de fevereiro e acaba um domingo antes da Páscoa, no Domingo de Ramos, dia 20 de março.
– Hum... O carnaval de 2017 será em 28 de fevereiro. Então a Semana Santa será em abril?
– Sim. 47 dias depois. A Páscoa será... deixe-me ver... acho que no dia 16 de abril. E a lua cheia será entre os dias 10 e 15 de abril, possivelmente, mas precisaria de um calendário com as fases da lua, para ter certeza. Não é mais ou menos isso, Érique?
– Historiadoras, geógrafas, matemáticas... Como você são sabidas. Só faltaram falar que a Páscoa cristã, que celebra a ressurreição de Cristo, seguia, vamos dizer assim, a Páscoa judaica, que celebra a libertação dos hebreus do Egito para a Terra Prometida. Como o calendário judaico era baseado na Lua, no cristianismo, a data passou a ser móvel também.

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Depois do jantar, Júli os convidou para segui-la à varanda do andar superior, levando, com a ajuda de Natália, uma garrafa de café com leite e um pote de biscoitos de sal.
Na varanda, há uma mesa de centro de madeira, um banco antigo e três cadeiras de plástico nos quais todos se acomodaram. A leve brisa da noite tornou o momento mais agradável e fresco. Nessa noite de sexta-feira, a enorme lua cheia iluminava a varanda e uma parte do quintal em que as sombras das árvores não conseguiam cobrir.
– Respondendo à pergunta de hoje de tarde sobre o nome do sítio: Lua Cheia. Esse sítio foi comprado em um período de lua cheia. Em algumas estações do ano, como acontece no outono, a lua cheia aparece bem grande, como se fosse só para o sítio, que fica iluminado como se fosse dia.
Já passava das 10 horas da noite. Da varanda, era possível ver uma casinha atrás de algumas árvores fora da cerca do sobrado, há uns quatrocentos metros de distância.
Curioso, Érique perguntou e a resposta veio de Júli.
– Vejam ali! Quem mora naquela casa?
– É a casa do empregado do sítio. Ele mora aqui há um bom tempo, desde a época dos antigos donos.
– O que ele faz?
– Bem... Colhe as verduras, os legumes e as frutas para entregar aos compradores, verifica o sistema de irrigação da horta, separa os ovos das galinhas, para vender, as alimenta e tira leite das vacas. Mas os donos anteriores venderam quase todas as galinhas e só restou uma vaca leiteira. Ele é muito agradável.
– Só acho que há alguma coisa muito estranha acontecendo aqui. Aqueles dois não venderiam esse paraíso se não tivesse medo de alguma coisa. Ou de alguém.
– Não há do que ter medo, Natália. Provavelmente, tentaram roubar o sítio e eles decidiram se mudar para a cidade. Foi uma pena eles terem se mudado daqui.
Os visitantes se serviram e ficaram observando a conversa.
– Meninos, não deem ouvidos. Ela é tem uma imaginação muito fértil. Agora cismou que há um lobisomem rondando o sítio...
Érique interrompeu a conversa indicando que não acreditava naquele ser fantástico.
– O lobisomem não passa de uma lenda que veio da Europa, no século XVI com os portugueses que colonizaram o Brasil.
E foi apoiado por Alana e Carla.
– Vejam só! Por que os lobisomens só aparecem na quaresma? Eu mesma respondo: Porque é uma lenda apoiada pela Igreja.
– Exatamente! Só não posso afirmar que a Igreja criou a lenda. Mas a nossa querida instituição religiosa sempre educou, entre aspas, as pessoas através do medo.
– E os próprios padres diziam que os pais tinham que batizar seus filhos, porque os lobisomens gostavam de atacar bebês pagãos.
– Pelo que sei, essa lenda pode ter sido originada na Europa, como Érique disse, pois a mitologia da Grécia Antiga faz referência ao licantropo, um ser lendário. De acordo com os mitos, um homem pode se transformar em lobo em noites de lua cheia e só volta ao normal pouco antes de o dia amanhecer.
Lembrando-se das aulas de História, Érique mencionou vagamente o mito grego do lobisomem.
– Se não me engano, o rei da Arcádia ofereceu um sacrifício a Zeus, que o transformou em lobo.
Júli concorda em partes com o que ouve, seguida por Érique e Carla.
– As pessoas mais velhas afirmam que existe e algumas, até que já viram ou foram atacadas. Certo que é uma lenda, mas alguma coisa pode ter feito essas pessoas acreditarem na existência do tal lobisomem, como um possível ladrão, para assustar. Eu mesma não acredito.
– É cientificamente impossível um homem sofrer uma transformação dessa forma.
– Isso só acontece na ficção e na imaginação das pessoas supersticiosas.
– O empregado disse que já viu um lobisomem aqui. E me confessou que esse foi o motivo da venda do sítio. Ele também me disse que na quaresma passada, um dia, a horta amanheceu toda pisada, várias galinhas espedaçadas, marcas de garras na porta do fundo e o que o bicho entortou o suporte do painel de energia solar.
Natália entrou na conversa relatando alguns fatos recentes.
– Não foi só na quaresma passada. Como explicar, mãe, o barulho no galinheiro anteontem de madrugada?
– Pode ter sido alguma raposa.
– E aqueles pelos nos fios de arame na cerca lá perto do riacho?
– Pode ter sido a mesma ou outra raposa tentando atravessar a cerca para atacar as galinhas.
– Não me convenceu. Nunca vi raposa de pelo escuro.
Ouvindo aquelas suposições, Alana ficou tentando não acreditar nas insinuações feitas por Natália.
– Você quer dizer, Natália, que há um lobisomem rondando a casa?
– Alana, não sei mais em que acreditar. Mas alguma muito estranha está acontecendo aqui.
No decorrer da conversa, Érique falou que a lenda se refere à metamorfose em lobo em noites de lua cheia, não necessariamente na quaresma. Alana e Carla comentaram sobre as versões da lenda seguidas por Natália e Júli.
– Isso mesmo. Uma versão diz que um homem foi mordido por um lobo em uma noite de lua cheia. E depois disso, o homem desenvolveu a capacidade de se metamorfosear em lobo, com traços humanos, em noites de lua cheia.
– Outra diz que se uma mulher tiver seis filhas, engravidar outra vez e o sétimo filho for menino, esse se transformará em lobisomem.
– E dizem que se uma pessoa foi mordida por um lobisomem, passa a se transformar também.
– Minha avó dizia que o oitavo filho de uma sequência de sete filhas se teria a sina de se transformar em lobisomem à meia-noite de sexta-feira em uma encruzilhada e tinha que voltar ao mesmo lugar para se destransformar. As transformações começam a ocorrer a partir dos 13 anos de idade e tinha que percorrer sete cemitérios antes de voltar ao normal. E só seria possível matá-lo acertando-o com uma bala de prata.
O relógio marcava quase 23:30. Em meio a tantas histórias de lobisomens, não sobrou nem uma gota de café e o pote de biscoitos estava vazio. Todos foram para seus dormitórios, que ficam no andar superior da casa. Júli foi para o seu quarto, Alana e Carla seguiram para o quarto de Natália e Érique foi para outro quarto, ao lado do das meninas, dormir sozinho.

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